Dionathas Alves Vieira chorou em vários momentos, durante o interrogatório realizado nesta sexta-feira, e lembrou também das filhas da vítima

Primeiro réu a ser interrogado no julgamento dos seis acusados de envolvimento no assassinato da médica Milena Gottardi, o executor confesso do crime, Dionathas Alves Vieira chorou muito ao entrar no salão do júri e, por diversas vezes, pediu perdão à família dele e à da vítima.

O interrogatório durou cerca de cinco horas e terminou no início da noite desta sexta-feira (27). Logo no início, o juiz que preside o júri, Marcos Pereira Sanches, da 1ª Vara Criminal de Vitória, perguntou a Dionathas se ele havia mesmo matado a médica. O rapaz confirmou que sim e disse que receberia R$ 2 mil pelo crime. 

Disse ainda que o serviço foi oferecido pelos dois acusados de ser os intermediadores do assassinato, Valcir da Silva Dias e Hermenegildo Palauro Filho, o “Judinho”. A oferta, segundo Dionathas, foi feita cerca de dois meses antes de Milena ser assassinada, em 14 de setembro de 2017.

O rapaz também deu detalhes sobre a execução do crime, disse que foi pressionado a matar Milena o quanto antes e afirma se sentir ameaçado pelos mandantes e pelos intermediadores do assassinato.

Durante o interrogatório, Dionathas também aproveitou para pedir perdão diretamente aos familiares de Milena Gottardi, que acompanham o julgamento.

“Eu estou arrependido. Nada justifica tirar a vida de uma pessoa, mulher alguma, homem algum, dinheiro algum. Só quem tem autoridade de colocar no mundo e de tirar é Deus Todo Poderoso. Ela tinha duas filhas e cuidava de crianças”, lamentou. 

“Por favor, me perdoa. O ser humano é falho. Não estou aqui me fingindo de santo, não estou fazendo charme. Com certeza, se ninguém tivesse responsabilidade nesse crime, eu assumiria tudo”, completou.

O executor confesso do crime também lembrou das filhas de Milena Gottardi com Hilário Frasson — ex-marido da vítima e acusado de ser um dos mandantes.

“Hoje eu fico imaginando como as filhas estão se sentindo, como a família está se sentindo. O que eu tenho para falar para a família é que Deus dê muita força. Eu sempre recordo daquelas meninas, de tudo praticamente, de como tive coragem de ter cometido esse ato infracional muito grande. Eu peço desculpas a todos”, afirmou.

Dionathas pediu perdão ao irmão e à mãe de Milena Gottardi, mas eles não estavam no salão do júri durante o interrogatório

Alguns parentes de Milena acompanhavam o interrogatório, mas a mãe da médica, Zilca Gottardi, e o irmão, Douglas Gottardi, não estavam presentes no salão do júri.

“Eu não sei ela se encontra aqui, mas peço a Deus que dê muita força para a mãe da Milena, para o irmão, e principalmente para aquelas duas princesinhas (filhas de Milena)”, disse Dionathas.

Dionathas também aproveitou para pedir perdão para a família dele, que vem sofrendo com a situação desde que o rapaz foi preso, dias após o crime.

“Eu peço perdão. Minha mãe não merecia passar por isso que ela está passando. Ela sempre me falou para não fazer coisa errada. Quem tem a culpa deve pagar. É um crime que deu muita repercussão. Vejo a minha família, meu irmão que está acompanhando e que está sofrendo”, declarou.

Durante o depoimento, o rapaz afirmou que, antes do crime, não sabia quem era Milena Gottardi e que só teve noção da proporção do caso quando a médica já havia sido baleada. Ele conta que ficou abalado ao descobrir que a vítima tratava de crianças com câncer.

“De coração, quando eu fiquei sabendo que ela cuidava de criança, aquilo me desabou. Eu tenho filho, fico imaginando as mães. Fico imaginando como essa pessoa teve coragem de fazer isso. Eu fiquei sabendo que ela cuidava de criança na unidade prisional, na matéria da TV. Pensei no meu filho”.

Quem são os réus do processo

Hilário Frasson – ex-marido da médica e ex-policial civil

Esperidião Frasson – ex-sogro da vítima

Valcir da Silva Dias e Hermenegildo Palauro Filho – acusados de serem intermediadores do assassinato

Dionathas Alves Vieira – acusado de ser o executor do crime

Bruno Rodrigues Broetto – apontado como o responsável por conseguir a moto utilizada no dia do assassinato

Entenda a participação de cada réu no caso

As investigações concluíram que Hilário e Esperidião encomendaram o assassinato de Milena Gottardi por não aceitarem o fim do casamento entre ela e o então policial civil.

Para isso, eles teriam contratado Valcir e Hermenegildo para dar suporte ao crime e encontrar um executor.

Ainda segundo a polícia, Dionathas Alves foi o escolhido para executar o “serviço” — como os envolvidos se referiam ao assassinato da médica. Para isso, ele receberia uma recompensa de R$ 2 mil.

Dionathas teria usado uma moto, repassada pelo cunhado Bruno, para seguir de Fundão até Vitória e matar Milena. A motocicleta teria sido roubada por um adolescente.

O veículo foi apreendido em uma fazenda em Fundão, no mesmo dia em que Dionathas e Bruno foram presos. O executor confesso do assassinato disse à polícia que o crime foi planejado durante cerca de 25 dias.

O inquérito, no entanto, aponta que o planejamento do homicídio começou pelo menos dois meses antes do crime. Segundo as investigações, os seis acusados de envolvimento na morte de Milena Gottardi trocaram 1.230 ligações e formaram uma rede de comunicação antes e após o crime.

Depoimentos de quatro suspeitos de envolvimento do crime detalharam como foi o planejamento do assassinato da médica.

De acordo com informações da Secretaria de Estado da Justiça, Hilário Frasson está preso na Penitenciária de Segurança Média I; Esperidião Frasson, no Centro de Detenção Provisória de Viana II; Valcir, no Centro de Detenção Provisória de Vila Velha; Hermenegildo, no Centro de Detenção Provisória da Serra; e Dionathas e Bruno, no Centro de Detenção Provisória de Guarapari.

Fonte Folha Vitória

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